Não é sobre você
- Valéria Brascher
- 13 de jul.
- 3 min de leitura
Existe uma descoberta espiritual que, embora pareça simples, tem o poder de mudar completamente a maneira como nos relacionamos com Deus.
Ela confronta uma das ilusões mais profundas do coração humano.
A ilusão de que Deus organiza Sua vontade ao redor de nós.
Talvez isso pareça estranho à primeira vista. Afinal, fomos ensinados a buscar promessas pessoais, palavras pessoais, respostas pessoais. Aprendemos a perguntar constantemente: "O que Deus quer para mim?", "Qual é o meu chamado?", "Qual é a promessa de Deus para a minha vida?"
Mas a aliança de Deus não nasce em mim.
Ela não começou comigo.
Ela não existe por minha causa.
Ela existe porque Deus é fiel à Sua própria Palavra.
Essa verdade é profundamente libertadora.
Existe uma tendência muito humana de projetarmos nossa própria estrutura emocional sobre Deus.
Queremos que Ele ame como nós amamos.
Que reaja como nós reagimos.
Que mude de ideia como nós mudamos.
Que adapte Seus planos às nossas necessidades.
Sem perceber, criamos um Deus moldado pelas nossas expectativas.
Essa é uma das maiores cadeias espirituais que existem.
Quando fazemos isso, deixamos de conhecer quem Deus realmente é para nos relacionarmos apenas com uma versão dEle construída pelas nossas necessidades emocionais.

É justamente por isso que tantas pessoas vivem frustradas.
Elas não estão lutando contra Deus.
Estão lutando contra a imagem que criaram dEle.
A palavra hebraica Brit significa aliança.
Mas talvez a nossa palavra "aliança" seja pequena demais para carregar toda a profundidade desse conceito.
Brit não é um acordo emocional.
Não é uma negociação.
Não é um contrato que muda conforme o relacionamento melhora ou piora.
Brit é um pacto.
Uma realidade estabelecida por Deus.
Com termos definidos.
Com fundamentos imutáveis.
Deus não permanece fiel porque eu fui fiel.
Ele permanece fiel porque não pode negar a Si mesmo.
Toda a segurança da aliança repousa na fidelidade de Deus à Sua Palavra.
Não na estabilidade das minhas emoções.
Talvez nosso maior erro seja querer trazer Deus para dentro dos nossos projetos, quando, na verdade, somos nós que fomos convidados a entrar no projeto dEle.
A diferença parece pequena.
Mas muda tudo.
Enquanto acreditarmos que Deus precisa validar nossas escolhas, viveremos tentando adaptar a Palavra às nossas circunstâncias.
É assim que surgem as justificativas.
"Deus conhece meu coração."
"Tenho paz."
"Deus falou comigo."
Muitas vezes, essas frases não nascem da revelação.
Nascem da necessidade de tornar legítima uma decisão que já foi tomada.
Quando isso acontece, deixamos de perguntar o que Deus estabeleceu e passamos apenas a procurar argumentos para manter aquilo que já desejávamos.
Enquanto permanecemos sob instrução, prosperamos extraordinariamente.
Mas a prosperidade pode produzir uma ilusão.
De começar a acreditar que podemos ultrapassar os limites estabelecidos por Deus.
Confundir intimidade com autorização.
Confundir favor com licença.
Confundir prosperidade com autonomia.
E perder tudo.
Talvez esse seja um dos maiores perigos da vida espiritual.
Não abandonar Deus.
Mas continuar perto dEle acreditando que agora podemos reinterpretar aquilo que Ele já estabeleceu.
Quantas vezes tentamos encaixar nossos desejos dentro da promessa?
Isso acontece mais do que imaginamos.
Entramos em relacionamentos que nasceram fora do desenho de Deus e depois pedimos que Deus os transforme em promessa.
Tomamos decisões sem consultar Sua Palavra e depois buscamos confirmações espirituais para justificá-las.
Queremos que Deus assine decisões que nunca nasceram nEle.
Mas a aliança não muda para acomodar nossas escolhas.
Somos nós que precisamos nos mover até ela.
Nunca o contrário.
O universo não gira ao nosso redor.
Nunca girou.
Tudo começa e termina em Deus.
A aliança também.
Quando finalmente compreendemos isso, algo dentro de nós descansa.
Não precisamos mais convencer Deus de nada.
Não precisamos moldar Sua vontade à nossa realidade.
Basta permanecer onde Sua Palavra já está.
Porque é ali, e somente ali, que a vida floresce.
Talvez a maturidade espiritual não seja descobrir que Deus tem uma promessa exclusivamente para mim.
Talvez seja muito maior do que isso.
Talvez seja descobrir que existe uma aliança eterna, perfeita e imutável, estabelecida muito antes de eu existir.
E que o maior privilégio da minha vida não é fazer Deus entrar nos meus planos.
É ser recebido, pela Sua misericórdia, dentro dos planos que sempre foram dEle.
Mas vivemos numa cadeia antropomórfica, projetando nossa realidade fora e quando religiosos, tbm a projetamos em Deus...




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