O Conhecimento Que Gera Vida
- Valéria Brascher
- 26 de jun.
- 4 min de leitura

Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor." (Oséias 6:3)
Existe uma diferença profunda entre saber algo sobre Deus e conhecer Deus.
A maioria das pessoas passa a vida acumulando informações. Aprende conceitos, memoriza versículos, escuta pregações, lê livros, frequenta igrejas e participa de eventos espirituais. Ainda assim, muitas permanecem vazias, cansadas e distantes da vida abundante prometida por Cristo.
Como isso é possível?
Porque a vida de Deus não é transmitida através da informação.
Ela é transmitida através da comunhão.
Essa é uma das verdades mais profundas reveladas nas Escrituras e, talvez, uma das menos compreendidas pela mentalidade moderna.
O Conhecimento Que Não Pode Ser Aprendido
Quando a Bíblia diz:
"Adão conheceu Eva, sua mulher, e ela concebeu..." (Gênesis 4:1)
o verbo utilizado é "Yada".
Yada não significa estudar.
Não significa analisar.
Não significa compreender intelectualmente.
Yada significa conhecer por intimidade.
Conhecer por experiência.
Conhecer por comunhão.
Conhecer de dentro para dentro.
A Bíblia poderia ter utilizado qualquer outra expressão para descrever a união entre Adão e Eva, mas escolheu justamente essa palavra para nos ensinar algo sobre o relacionamento entre Deus e o homem.
Para a mentalidade hebraica, conhecer não era acumular informações. Conhecer era tornar-se um com aquilo que se conhece.
Por isso Adão conheceu Eva e ela concebeu.
O verdadeiro conhecimento sempre gera fruto.
Sempre gera vida.
Sempre produz transformação.
O conhecimento que não transforma talvez seja apenas informação.
A Tragédia do Jardim
No Éden existiam duas árvores.
A árvore da vida.
E a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Curiosamente, a serpente não oferece ao homem a árvore da vida.
Ela oferece conhecimento.
Mas não qualquer conhecimento.
Ela oferece independência.
A proposta da serpente nunca foi simplesmente:
"Saiba mais."
A proposta foi:
"Você não precisa mais depender de Deus para discernir o que é certo."
Em outras palavras:
"Torne-se sua própria fonte."
E desde aquele momento a humanidade passou a viver desconectada da comunhão para viver conectada à autonomia.
Passamos a confiar mais em nossas análises do que em Sua presença.
Mais em nossas conclusões do que em Sua voz.
Mais em nosso julgamento do que em Sua sabedoria.
O resultado foi separação.
Solidão.
Ansiedade.
Medo.
Competição.
Controle.
A Doença Espiritual dos Nossos Dias
Vivemos a era da informação.
Nunca houve tanto conhecimento disponível.
Nunca tivemos acesso a tantas respostas.
Mas também nunca houve tantas pessoas perdidas.
O problema não é falta de informação.
O problema é ausência de intimidade.
Muitos sabem sobre Deus.
Poucos conhecem Deus.
Muitos conhecem versículos.
Poucos conhecem Sua voz.
Muitos frequentam ambientes religiosos.
Poucos experimentam comunhão.
A religião consegue ensinar princípios.
Mas apenas a intimidade gera transformação.
A religião modifica comportamentos.
A presença modifica naturezas.
A religião produz esforço.
A comunhão produz fruto.
Por isso Deus declara através do profeta Oséias:
"Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor."
O chamado não era para estudar mais.
Era para voltar para perto.
O Deus Que Deseja Ser Conhecido
Uma das revelações mais extraordinárias da Bíblia é que Deus não deseja apenas ser obedecido.
Ele deseja ser conhecido.
Por isso toda a Escritura utiliza repetidamente a linguagem da aliança.
Deus não se apresenta como um empregador buscando funcionários.
Nem como um rei distante buscando servos.
Ele se apresenta como um noivo buscando sua noiva.
A metáfora do casamento atravessa toda a Bíblia.
Desde Adão e Eva.
Passando por Oséias.
Até culminar nas bodas do Cordeiro.
O motivo é simples.
O casamento é uma das experiências humanas mais próximas daquilo que Deus deseja viver conosco: intimidade, presença, vulnerabilidade, fidelidade e comunhão.
Deus não quer apenas suas orações.
Ele quer você.
Não quer apenas suas canções.
Quer seu coração.
Não quer apenas seu trabalho para Ele.
Quer sua presença diante dEle.
Por isso Deus separou um tempo.
O Shabat não foi criado apenas para descanso físico.
Foi criado para relacionamento.
Foi criado para interromper a lógica do mundo e restaurar a lógica da aliança.
Durante seis dias o homem produz.
No sétimo ele aprende a receber.
Durante seis dias ele constrói.
No sétimo ele contempla.
Durante seis dias ele corre.
No sétimo ele permanece.
O Shabat é um protesto contra a mentira da serpente.
É uma declaração de que nossa vida não depende apenas do nosso esforço.
É um retorno à dependência.
É um retorno ao amor.
Quando paramos diante de Deus, algo acontece que a mente nem sempre consegue explicar.
O Espírito começa a ser fecundado pela presença.
A Palavra deixa de ser apenas texto e se torna vida.
A oração deixa de ser um pedido e se torna comunhão.
A adoração deixa de ser música e se torna encontro.
E, pouco a pouco, Deus vai formando Sua natureza dentro de nós.
Conhecer e Ser Conhecido
Talvez uma das declarações mais emocionantes das Escrituras esteja em 1 Coríntios 13:12:
"Agora conheço em parte; então conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido."
Que mistério extraordinário.
Deus conhece cada lágrima.
Cada medo.
Cada ferida.
Cada lembrança escondida.
Cada rejeição que ninguém viu.
Cada oração que nunca foi verbalizada.
Ele conhece tudo.
E mesmo assim continua nos chamando para perto.
O objetivo final da aliança não é apenas que conheçamos Deus.
É que vivamos uma relação tão profunda com Ele que conheçamos e sejamos conhecidos.
Esse é o destino da alma.
Esse é o chamado da aliança.
Esse é o convite do Evangelho.
Um Convite Para Hoje
Talvez você esteja cansado.
Talvez tenha buscado respostas em todos os lugares.
Talvez tenha acumulado conhecimento, mas continue sentindo vazio.
Talvez tenha aprendido muito sobre Deus, mas esteja distante de Sua presença.
Hoje o convite continua o mesmo de Oséias:
"Venham, voltemos ao Senhor."
Não para uma religião.
Não para um sistema.
Não para um ritual.
Mas para uma Pessoa.
Volte para a comunhão.
Volte para a intimidade.
Volte para o lugar onde a alma para de tentar controlar tudo e simplesmente permanece diante dEle.
Porque existe um conhecimento que não pode ser ensinado.
Existe uma sabedoria que não pode ser adquirida.
Existe uma vida que não pode ser produzida pelo esforço humano.
Ela só pode ser concebida na presença de Deus.
E é nesse lugar que o Espírito continua sussurrando:
"Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor."
(O resumo acima é baseado no conteúdo de uma "imersão/curso profundo e espiritual" que estou participando e que tem como tema o Shabbat, que nos chama e ensina a descansar Nele)...
Obrigada Pai, por me ensinar...




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