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O que abre o caminho?

Resumo do estudo dessa semana na jornada do shabat...

Há algo que toca profundamente quando lemos a história de Adão, após a queda.

O homem havia acabado de romper com Deus. O medo entrou. A vergonha entrou. A culpa entrou. E então ele fez aquilo que todos nós fazemos quando nos sentimos inadequados: ele se escondeu.

Mas o que mais me impressiona não é o esconderijo de Adão.

É a reação de Deus.

Deus não chega gritando. Não chega condenando. Não chega cobrando.

Ele faz uma pergunta.

"Onde estás?"

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes de toda a Escritura.

Não porque Deus não soubesse onde Adão estava.

Mas porque Adão já não sabia.

A pergunta não era geográfica.

Era espiritual.

Era existencial.

Era uma pergunta sobre consciência.

Durante muito tempo eu imaginei que o relacionamento com Deus fosse construído principalmente através de ordens, meu aprendizado inicial na Igreja, foi apenas religioso.

Faça isso. Não faça aquilo.

Obedeça. Seja ativo nas regras que devem ser executadas. Eu que me vire, com meu TDAH recentemente validado pela devida escala...

Mas quanto mais caminho pelos portais do Shabat, mais percebo algo diferente.

O relacionamento que Deus deseja restaurar não começa com uma ordem.

Começa com uma pergunta.

Porque perguntas despertam consciência.

Perguntas nos obrigam a parar.

Perguntas interrompem o piloto automático.

Perguntas nos fazem olhar para dentro.

E é justamente isso que o Shabat faz.

Ele interrompe a corrida.

Interrompe a produção.

Interrompe a distração.

Para que possamos ouvir novamente a voz que passeia pelo jardim perguntando:

"Onde você está?"

Percebo que esta pergunta continua ecoando em cada geração.

Onde você está?

Onde está seu coração?

Onde está sua atenção?

Onde está sua confiança?

Onde está sua identidade?

Onde está sua alegria?

Onde está sua paz?

Muitas vezes pensamos que estamos perdidos porque não sabemos para onde ir.

Mas frequentemente estamos perdidos porque já não sabemos onde estamos.

E ninguém pode voltar para casa sem primeiro reconhecer onde se encontra.

Por isso toda verdadeira restauração começa com consciência.

Toda cura começa com consciência.

Toda conversão começa com consciência.

Todo retorno começa com consciência.

Ao longo da Bíblia, Deus continua fazendo perguntas.

A Caim:

"Por que estás irado?"

A Elias:

"O que fazes aqui?"

A Agar:

"De onde vens e para onde vais?"

A Isaías:

"A quem enviarei?"

A Jeremias:

"O que vês?"

A Ezequiel:

"Poderão viver estes ossos?"

E a Jó:

"Onde estavas quando lancei os fundamentos da Terra?"

É como se Deus estivesse constantemente chamando o ser humano para despertar.

Não para acumular respostas.

Mas para enxergar.

Para perceber.

Para tomar consciência.

Para se posicionar.

Talvez por isso Jesus tenha feito tantas perguntas.

Ele poderia simplesmente entregar respostas prontas.

Mas escolheu conduzir pessoas através de perguntas.

Porque respostas informam.

Perguntas transformam.

Respostas podem alcançar a mente.

Perguntas alcançam a alma. Amo perguntas...

Gosto de me dizer socrática...

O Shabat é o espaço onde reaprendemos essa linguagem.

É o lugar onde deixamos de ser apenas pessoas que falam com Deus para nos tornarmos pessoas que também escutam Deus.

E muitas vezes o que ouvimos não é uma resposta.

É uma pergunta.

Uma pergunta que ilumina um esconderijo.

Uma pergunta que revela uma ferida.

Uma pergunta que denuncia uma fuga.

Uma pergunta que mostra um caminho de volta.

Porque Deus continua fazendo o mesmo movimento que fez no Éden.

Ele continua vindo em direção ao homem.

Ele continua procurando os seus filhos.

Ele continua chamando pelo nome.

E continua perguntando:

"Onde estás?"

Talvez o início da restauração não esteja em encontrar todas as respostas.

Talvez esteja apenas em ter coragem de responder essa pergunta com sinceridade.

Porque todo caminho de volta para Deus começa exatamente aí.


A pergunta, abre o caminho...

 
 
 

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